terça-feira, 2 de julho de 2013

Arquitetura inclusiva e seus desafios

A falta de acessibilidade é a principal barreira enfrentada por pessoas que convivem com algum tipo de deficiência nas grandes cidades brasileiras. E a inclusão desta importante parcela da população – 24,6 milhões de pessoas em todo o país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é um desafio cada vez maior para arquitetos, engenheiros e responsáveis pela definição e implantação de políticas públicas que permitam aos que têm mobilidade reduzida se locomoverem com autonomia e independência. 

“Sinto-me pequenina”. O desabafo é de uma mulher, adulta, diante de mais um entre tantos obstáculos arquitetônicos que ela enfrenta diariamente em Florianópolis. A assistente social Maria Helena Koerich, de 53 anos, é cadeirante e, por isso, sofre uma série de dificuldades para ir e vir na cidade onde vive. 

A limitação, é importante ressaltar, não é por conta de sua condição física – ela perdeu o movimento dos membros inferiores quando teve poliomielite, ainda bebê. É, sim, por causas das barreiras que encontra em seu caminho para o trabalho, para utilizar o transporte público, freqüentar um restaurante, ir à praia, enfim, usar os serviços como qualquer cidadão “que paga em dia os seus impostos”, comenta ela. 

O tema da acessibilidade ganhou ainda mais força com a promulgação da Lei 8.123, de julho de 1991, que obriga empresas com 100 funcionários ou mais a contratarem pessoas com deficiência. As empresas, indiretamente, foram também obrigadas a rever a arquitetura de seus prédios, para adequar os espaços de trabalho aos novos colaboradores. O Estatuto das Cidades, que determina aos municípios a previsão da acessibilidade em seus planos diretores, também é referência para as políticas públicas locais. 

A inclusão e a acessibilidade – e não somente de deficientes físicos, mas de idosos, obesos e gestantes – não é preocupação apenas de setores da sociedade brasileira. A Organização dos Estados Americanos (OEA), por exemplo, estabeleceu, em 2006, que esta será a Década das Américas pelos Direitos e pela Dignidade das Pessoas com Deficiência com o lema ‘Igualdade, dignidade e participação’. Na declaração, a OEA pede o empenho dos Estados para assegurar a inclusão e a participação plena destas pessoas em todos os aspectos da sociedade. 

Com o aumento da expectativa de vida, a discussão sobre acessibilidade se espalha por diversas áreas. O IBGE calcula que nos seus últimos 14,6 anos de vida o brasileiro terá que conviver com algum tipo de deficiência física ou mental. E muitos já se preparam para isto. 

Há alguns anos, o arquiteto paulista Ricardo Vasconcelos percebeu que muitos de seus clientes na faixa dos 40 e 50 anos estavam interessados em adaptar suas casas para garantir uma velhice segura. “É importante que as pessoas levem esta preocupação também para o seu ambiente de trabalho, não somente em seu próprio benefício”, explica Vasconcelos, mestre pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) e professor dos cursos de graduação e pós-graduação da Faculdade de Arquitetura da Universidade Presbiteriana Mackenzie. 

O debate sobre a inclusão de pessoas com baixa mobilidade física chegou à academia e aos escritórios de arquitetura; porém, Vasconcelos acredita que a sociedade brasileira ainda é ‘muito crua’ neste sentido, mesmo tendo avançado significativamente nas duas últimas décadas. “A inclusão é um desafio para a nossa sociedade. E os arquitetos são as figuras-chave na distribuição deste conhecimento”, avalia. 


Existe ainda o problema do preconceito e desrespeito, que muitas vezes velado, contribui para o aumento das dificuldades. As pessoas além de não ajudarem, utilizam as estruturas voltadas para deficientes como se fossem delas, deixando-os desamparados. E este desafio, de vencer o desrespeito, é de longe, o mais complicado de vencer.

Fonte: IBDA

Leia também: Como adaptar a casa para idosos

Brasil supera marca de 100 empreendimentos com certificação Leed

Segundo balanço do GBC Brasil, três projetos já obtiveram o nível máximo. Somente a cidade de São Paulo possui 80 empreendimentos com o selo

Eldorado Business Tower foi o primeiro projeto a receber o Leed Platinum

O Brasil ultrapassou a marca dos 100 empreendimentos certificados pelo Leed (Leadership Environmental and Energy Design), de acordo com dados divulgados nesta semana pelo Green Building Council Brasil (GBC Brasil). Hoje o País está em quarto lugar no ranking mundial de projetos com o selo, atrás apenas dos Estados Unidos, da China e dos Emirados Árabes.
"Em 2012 havia uma média de 16 registros por mês em busca da certificação, ao passo que nos primeiros cinco meses de 2013 o número cresceu mais de 40%, chegando a 22 solicitações por mês", disse Marcos Casado, diretor técnico e educacional da organização, em comunicado oficial.

Segundo balanço, os registros para certificação cresceram em todas as regiões, mas a região sudeste permanece na liderança. Somente São Paulo possui 80 empreendimentos Leed. Completam o a lista o Rio de Janeiro (12 certificados), Paraná (3), Rio Grande do Sul (3), Minas Gerais (2) e Distrito Federal (1). Outras cidades ainda possuem quatro empreendimentos contemplados.

Dos 105 que receberam o selo, três já obtiveram o nível Platinum (máximo). Ainda segundo a pesquisa, um total de 65% das 100 edificações é de caráter comercial ou escritórios. "Além dos números expressivos, o setor deve comemorar a busca pela certificação por empreendimentos dos ramos industrial, fabril, esportivo, hoteleiro, varejista e hospitalar, por exemplo. Prova disso é que o centésimo empreendimento LEED no Brasil é um centro de manutenção de uma garagem de ônibus rodoviários, fato inédito", destaca Casado.
Para conseguir o selo, os empreendimentos precisam atender a critérios como eficiência energética; uso racional de água; qualidade ambiental interna; uso de materiais, tecnologias e recursos ambientalmente corretos, entre outras ações que minimizem os impactos ao meio ambiente.

Fonte: Pini



Ex-CEO da Nestlé quer privatizar a água

Não é a primeira vez que o nome da Nestlé está envolvido em escândalos sócio-ambientais.
Estou postando o link da reportagem completa, que além da questão da privatização da água, aborda o envolvimento da empresa com mão de obra infantil e escrava, devastação de áreas florestais preservadas e de reprodução de orangotangos, entre outros.

Se queremos que as empresas - e a sociedade como um todo - tenham atitudes mais respeitosas e responsáveis, cabe a nós consumidores, avaliarmos o que, e de quem estamos comprando. 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Dois empreendimentos brasileiros estão entre os 18 mais sustentáveis do mundo

Parque da Cidade, em São Paulo, e o Pedra Branca Cidade, em Santa Catarina, aparecem na lista elaborada pelo Climate Positive Development Program

Em ranking elaborado pelo Climate Positive Development Program, iniciativa da Fundação Clinton e do U.S. Green Building Council, dois empreendimentos brasileiros foram escolhidos entre os 18 projetos mais sustentáveis do mundo. São eles: Parque da Cidade, em São Paulo, e Pedra Branca Cidade, situado em Palhoça, em Santa Catarina.

Parque da Cidade, São Paulo

Considerado referência internacional de desenvolvimento urbano e redução da emissão de CO2, o megacomplexo paulista, desenvolvido pela Odebrecht e situado em uma área de 82 mil m² no bairro do Brooklin, conta com prédios residenciais, comerciais, shopping e hotel. Segundo a construtora, por conta de iniciativas sustentáveis, a fase de obras deve economizar R$ 500 mil. Já na operação, o empreendimento terá sistema de captação de energia solar, uso de lâmpadas LED, ar condicionado com sistema para economia de energia elétrica, captação de água da chuva e sanitários com sistema de esgoto a vácuo.

Já o projeto Pedra Branca Cidade, em Palhoça, Santa Catarina, começou a ser desenvolvido no ano de 1997 onde, até então, as terras que compõem o maior e mais desenvolvido empreendimento da região faziam parte de uma fazenda destinada à agropecuária. O projeto de urbanização de 250 hectares possui edifícios dotados de tecnologias alternativas, com certificação ambiental e materiais recicláveis. As ruas priorizam o pedestre e o transporte por bicicletas. O objetivo maior é se tornar uma região com emissão de carbono zero.
Os outros projetos lembrados pelo ranking foram: Victoria Harbour e Barangardo (Austrália), Menlyn Maine (África do Sul), Magok Urban Project (Japão), Mahindra World City e Godrej Garden City (Índia), Panamá Pacífico (Panamá), Project Zero (Polônia), Stockholm Royal Seaport (Suécia), Albert Basin (Irlanda do Norte), Elephant & Castle (Inglaterra) e os empreendimentos americanos Dorckside Green, Ecodistricts, Treasure Island, Oberlin e Waterfront Toronto.

Fonte: Piniweb

terça-feira, 4 de junho de 2013

Cinco projetos sustentáveis recomendados pela ONU


Semana passada, a ONU, através de seu Programa para o Meio Ambiente, publicou um informe sobre a necessidade de se desenvolver infraestruturas sustentáveis nas cidades. Os resultados mostraram que infraestruturas "inteligentes" dispostas em zonas urbanas trazem benefícios econômicos e ambientais.
A parte mais interessante do informe é a descrição detalhada de 30 projetos de várias partes do mundo com modelos e sistemas que podem ser imitados. Vários destes casos estão centrados em inovações que ultimamente tem chamado atenção, tais como o exitoso teleférico em Medelín, a conversão de uma rodovia urbana em parque para pedestres em Seul, e a preocupação com o clima em Portand.
Mas existem outras ideias que vale a pena conhecer melhor. A seguir, cinco casos citados pelo parecer da ONU.

Masdar: A cidade "carbono zero" no deserto.
No sul de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, estão sendo construída Masdar, uma cidade que não emitirá emissões de carbono, de modo a compensar as emissões causadas pela exploração de combustíveis fósseis que ocorre na região. Os edifícios serão envoltos por painéis solares e serão implantados na angulação mais eficiente para  captar a energia do vento.
O sistema de transporte será em vias exclusivas para veículos particulares que funcionarão com energia elétrica. A água pode ser reciclada e os resíduos serão utilizados como fertilizante e fontes de energia.
Frente a todos estes benefícios que outorgaria a cidade, críticos duvidam das ambições do projeto e seu verdadeiro impacto ambiental, uma vez que consideram a ideia "muito enigmática". No entanto, o relatório da ONU considera Masdar "um exemplo de como garantir  o investimento em uma visão sustentável".


Vias exclusivas para ônibus públicos em Lagos
Lagos, na Nigéria, pode ser uma das maiores novas cidades da África, apesar de até há pouco tempo atrás não contar com um sistema de transporte organizado. Em resposta, as autoridades colocaram em prática o sistema "BRT-Lite", com o propósito de diminuir o trânsito e proporcionar um modo de transporte alternativo aos às classes mais pobres.


Devido ao orçamento que não permitia construir pistas exclusivas para os ônibus, os projetistas utilizaram marcações sobre as pistas existentes para oferecer ao menos alguma diferenciação entre as diferentes vias. De acordo com o informe, estima-se que o sistema "BRT-Lite" transporta cerca de 25% dos passageiros da cidade em apenas 4% do número total de veículos.



Växjö: Livre de combustíveis fósseis
Växjö, uma cidade com 82.000 habitantes no sul da Suécia, começou em 1996 um programa livre de combustíveis fósseis cujo objetivo é eliminar as emissões deste tipo de combustível até 2030.  A iniciativa conseguiu teve muita aceitação quanto à calefação das casas, tendo em vista que há alguns anos atrás a cidade subsidiou a conversão dos edifícios antigos aquecidos com combustíveis de petróleo para o sistema que utiliza biomassa.
Hoje em dia, cerca de 90% do combustível para calefação vem da combustão de madeira. No entanto, as emissões do transporte foram mais que um desafio, segundo o informe da ONU. Enquanto que as autoridades da cidade trataram de persuadir os habitantes a adquirir carros de baixo consumo - oferecendo subsídios de compra e estacionamento gratuito - o objetivo é que os habitantes optem pelo transporte coletivo.



Incentivos para reciclagem - Curitiba
A cidade de Curitiba é conhecida por seu sistema de ônibus com vias exclusivas, mas algumas de suas medidas de sustentabilidade mais impressionantes foram originadas em programas de gestão de resíduos. Grande parte deste êxito se deve ao fato da comunidade ter recebido incentivos para reciclar, já que as autoridades entregaram passagens de ônibus em troca de bolsas de resíduos, produtos de hortifruti e materiais para reciclagem.
Ao centrar as campanhas de publicidade nas crianças, a cidade espera fomentar a conservação no futuro. Embora ainda haja um problema com catadores de lixo informais, estas iniciativas de gestão de resíduos estenderam consideravelmente a vida dos aterros em Curitiba.



As mudanças no trânsito em Bangkok
Após a construção da sua primeira rodovia em 1981, Bangkok descobriu a lei fundamental do trânsito nas estradas: mais quilômetros destas significam mais tráfego. Finalmente, depois de anos de luta contra o problema, a capital da Tailândia passou a adotar um sistema de metrô, que no final de 2011 já havia meio milhão de passageiros diários e quatro linhas em construção.
As residências se deslocaram juntamente com o transporte, segundo informe da ONU, cada vez mais voltado às camadas populares. A transição não é um completo êxito, mas a importância do transporte público para o futuro da cidade é mais clara que nunca.


Fonte: Asbea

Leia também: Novo modelo de cidade sustentável



segunda-feira, 27 de maio de 2013

Conheça o escritório da Heineken de Nova York

Exemplo de ambientação corporativa que integra e expõe os valores da marca. 
Através do produto, cores, iluminação, materiais e texturas envolve e compromete quem frequenta estes espaços. Quem não gostaria de trabalhar neste escritório??









segunda-feira, 20 de maio de 2013

Como Adaptar a Casa Para Idosos?

Os idosos necessitam de cuidados especiais, inclusive na decoração da casa. Em alguns casos é necessário fazer adaptações para deixar o ambiente mais seguro e funcional, ou seja, com todos os espaços montados de acordo com as limitações dos mais velhos. Em virtude disso, os projetos de interiores tem se inovado em muitos contextos.

O projeto de uma casa para idosos reconhece as necessidades de conforto e facilidades nas tarefas do dia-a-dia. Os ambientes adaptados conservam estruturas reduzem as dificuldades de circulação de uma área para outra e as chances de possíveis acidentes. Móveis, revestimentos e objetos decorativos são pensados de acordo com o perfil da terceira idade. 

Ao adotar um projeto adaptado para este nicho, é possível notar a valorização dos moradores da terceira idade, principalmente aqueles que estão doentes ou possuem dificuldades para realizar atividades básicas. E com bom gosto, pode-se aliar segurança e beleza.

Sugestões para adaptar a casa para idosos 

- Revestimento do chão: os idosos costumam sofrer quedas quando a residência não possui as devidas adaptações. Isso pode agravar um quadro de doença ou até mesmo quebrar membros, já que os ossos se encontram mais frágeis nessa faixa etária. A melhor forma de prevenir acidentes é instalando pisos antiderrapantes, evitar degraus de qualquer altura, e adequar rampas quando possível. Deve-se atentar também a tapetes, alguns não aderem ao piso ficando soltos e passíveis de escorregões e tropeços. Caso o local seja frio, prefira tapetes baixos e o fixe ao piso com fitas especiais. O objetivo é prover superfícies mais firmes para o deslocamento dos idosos. 



- Cuidados com o banheiro: o ambiente sanitário costuma ser o principal cenário para acidentes com idosos, isso porque o chão é escorregadio e nem sempre há uma estrutura adaptada. Procure instalar barras no banheiro para que o idoso possa se apoiar durante o banho, e acrescente um vaso sanitário mais alto. Procure evitar quinas e pontas agudas, dando preferência a arredondadas ou sextavadas. Quando o morador idoso possui Alzheimer, não é recomendado usar muitos espelhos na decoração porque isso pode causar alterações comportamentais. No caso de sobrados, o ideal é que o dormitório e o banheiro estejam situados no primeiro andar da casa, afim de evitar escadas.


- Acesso aos cômodos da casa: se possível, é recomendado evitar escadas longas ou cheias de curvas. Caso seja necessário instalá-las para ligar dois pavimentos, procure adotar corrimãos, e revestimentos nos degraus que não sejam escorregadios. Todos os ambientes devem ser espaçosos para a eventualidade de o idoso necessitar de andador ou cadeira de rodas (portas com 80cm no mínimo para permitir tais passagens). Para facilitar o acesso do idoso a determinadas áreas da casa, é recomendado instalar suportes que permitam o descanso e contribuam com a prevenção de acidentes. 

- Mobiliário: para evitar quedas ou outros perigos é prudente adotar móveis sem quina e fixos no chão. A medida ajuda a evitar ferimentos caso o idoso busque equilíbrio ao se apoiar no mobiliário. Tudo deve ser planejado em prol da acessibilidade e movimentação do idoso dentro do espaço, evitando pontos passíveis de tropeços.

- Adaptações indicadas: Maçanetas e torneiras devem ser de alavanca - peças redondas são de difícil acionamento para quem não tem força nas mãos - e de material que evite que as mãos escorreguem. Posicione os objetos de uso em lugares sob medida, ou seja, nem muito alto e nem muito baixo. O mesmo serve para tomadas e interruptores, não devem ser altos ou baixos, pois dificultam o alcance. No dormitório, deve-se ter um interruptor próximo da cama.


- Dormitório: Opte pelas camas convencionais (45 a 50 cm incluindo colchão), isso facilita o cotidiano dos idosos na hora de deitar ou levantar. Iluminação dentro do guarda-roupa é uma boa sugestão. Se não for possível, lembre-se de que o quarto deve ser bem claro, o que já facilita muito. Colocar cadeiras no quarto facilita para o idoso vestir meias e calçar sapatos.

Na hora de decorar uma casa para idosos, é importante se atentar a enfeites que representam obstáculos, como vasos e esculturas. Ambientes bem iluminados também é de suma importância, prefira a decoração com cores claras. É recomendado ainda deixar corredores iluminados e se preocupar com o contraste da porta com a parede para que a pessoa possa enxergar com mais nitidez. 

Atenção: nada de criar espaços semelhantes a hospitais ou museus! O ambiente deve ser alegre, estimulante e aconchegante.


Leia também: Construtoras redesenham imóveis para idosos

terça-feira, 14 de maio de 2013

Classificação da Qualidade de Edifícios de Escritórios

O que é isso, e pra que serve?




O Sistema de Classificação da Qualidade de Edifícios de Escritórios foi criado em agosto de 2004 pelo Departamento de Engenharia de Construção Civil, a partir de uma dissertação de mestrado da professora Ana Beatriz Poli Veronezi. A classificação é feita baseada na avaliação de cerca de 400 características do edifício analisado e sempre a partir do ponto de vista do usuário do edifício. 
É analisado também o estado dos atributos de sua vizinhança, de acordo com os anseios de seus usuários. Esta avaliação é expressa através de pontuação que se confere a cada atributo relevante para ocupantes de edifícios de escritórios. O resultado desta pontuação é enquadrado numa escala de classificação com a seguinte hierarquia: AAA, AA, A, BBB, BB, B e C.
Classe AAA: representa o topo da escala, compreendendo os empreendimentos que apresentam a mais alta qualidade, no que se refere aos padrões construtivos e de tecnologia de sistemas prediais.  O edifício para ser certificado nessa classe deve ter projeto inovador, alto nível de tecnologia embarcada, excepcional padrão construtivo, preocupação com a qualidade do ambiente de trabalho, total controle do usuário sobre seu ambiente, atenção à imagem externa da edificação e localização de destaque dentro da malha urbana, este último atributo utilizado apenas na classificação regional.  Por conta do elevado grau de inovações de projeto e tecnologia embarcada, esta condição é considerada quase invulnerável, no sentido de que, decorrido o prazo de validade da classificação de 3 anos, é muito improvável que a condição competitiva do edifício seja adversamente afetada por evolução dos parâmetros empregados nos mercados de edifícios de escritórios para locação, em termos de materiais e processos construtivos, desenho arquitetônico, tecnologia disponível e estruturação organizacional das empresas.
Classe AA: classe que compreende os empreendimentos que apresentam qualidade muito alta com relação aos seus padrões construtivos e de tecnologia de sistemas prediais, sendo que esta condição, decorrido o prazo de validade da classificação, não é significativamente vulnerável a previsíveis evoluções no mercado.  Nesta classe, os edifícios devem apresentar projeto com alguns elementos inovadores, padrão construtivo muito alto, preocupação com o ambiente de trabalho, bom controle do usuário sobre o ambiente e alguma preocupação com a imagem da edificação.  Durante o processo de certificação, o empreendimento deve apresentar uma condição ótima de aderência do estado detectado para os atributos do edifício aos mais altos padrões de construção vigentes, sendo admissível a não incorporação de tecnologias ou atributos de projeto inovadores, por exemplo.
Classe A: os empreendimentos considerados nesta classe apresentam qualidade alta com relação aos seus padrões construtivos e de tecnologia de sistemas prediais, entretanto, percebe-se a ausência total de quaisquer elementos de sistemas prediais inovadores, sendo também percebido que alguns  elementos de projeto arquitetônico que poderiam melhorar a qualidade do ambiente de trabalho não foram incorporados.  A aderência aos mais altos padrões é muito pouco vulnerável, mas ainda assim, decorrido o prazo de validade da classificação, essa aderência pode ser mais vulnerável, que a aderência das classes superiores, a previsíveis evoluções dos parâmetros empregados no mercado em termos de materiais e processos construtivos, desenho arquitetônico e tecnologia disponível no edifício.
Classe BBB: esta é considerada uma classe intermediária nas escalas e assim, os empreendimentos com esta classificação normalmente apresentam um bom padrão de qualidade construtiva, porém sem qualquer inovação, e identificam-se algumas falhas de projeto.  Normalmente neste caso, a qualidade do ambiente de trabalho, nas áreas privativas, vai pouco além das funcionalidades básicas de um edifício comercial.  Verifica-se uma boa aderência do estado detectado para os atributos do edifício aos mais altos padrões de construção vigentes, porém, expirada a validade da classificação, essa aderência é provavelmente mais afetada adversamente, que a aderência das classes superiores, por avanços no setor.
Classe BB: verifica-se, nos empreendimentos desta classe um padrão de qualidade apenas regular, não se percebendo uma preocupação específica com relação à qualidade do ambiente de trabalho nas áreas privativas.  Além disso, são oferecidos serviços prediais básicos, sendo que o usuário típico tem pouco controle sobre as funcionalidades dos mesmos (conforto térmico, iluminação, etc).  Regular aderência do estado detectado para os atributos do edifício aos mais altos padrões de construção vigentes.  Decorrido o prazo de validade da classificação, é provável que essa aderência seja fortemente afetada pelas evoluções no setor.
Classe B: os empreendimentos desta classe apresentam qualidade construtiva mínima e muito vulnerável.  Os atributos de projeto impedem que sejam realizadas intervenções no sentido de promover melhorias na qualidade do ambiente de trabalho.  O usuário não tem qualquer controle sobre a oferta de serviços prediais, os quais apresentam nível funcional suficiente para que o empreendimento opere em condições regulares, durante horários normais de trabalho.   Expirada a validade da classificação, é muito provável que esteja bastante obsoleto para usuários corporativos.
Classe C: esta classe abrange os edifícios que apresentam inadequação do estado detectado para os atributos do edifício aos mais altos padrões de construção vigentes.  O usuário não tem qualquer controle sobre os sistemas prediais, sendo usual a instalação de sistemas independentes, sem projeto ou integração planejada com o restante dos sistemas prediais.  O patamar de qualidade é altamente vulnerável.  Além disto, após o prazo de validade da certificação, é bastante provável que o edifício passe a ter qualidade desprezível e não mais se enquadre na escala de classificação.

Após ser submetido ao sistema de classificação, um relator elabora suas conclusões acerca da nota do edifício, a qual é avaliada pelo Comitê de classificação, que avalia criticamente com as conclusões do relatório produzido, atestando ou contestando a recomendação de classificação do relator.

A partir desta classificação, o valor de mercado da edificação pode ser alterado.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Lojas online buscam experiência de marca e abrem lojas físicas


Em busca da ampliação de canais de venda e de maior aproximação com o consumidor, empresas que nasceram no meio digital inauguram espaços enfrentando desafios


As empresas online têm percebido que, apesar de terem nascido em um ambiente virtual, não estão restritas a ele. A diversificação de canais de venda é uma forma cada vez mais comum de ampliarem sua atuação e muitas estão abrindo suas próprias lojas ou buscando parcerias com outras marcas para abranger também a presença física. Esta tem sido uma forma de oferecer uma experiência diferenciada aos consumidores, se aproximando mais de cada um e até os ajudando na familiarização com o e-commerce.

Também pode representar uma alternativa na distribuição e entrega de produtos e uma forma certeira de estar onde o contato com o público é mais relevante para o negócio. Tudo isso sem perder a essência digital. Os desafios, no entanto, são muitos: transformar um conceito virtual em materiais e objetos físicos que passem a mensagem da marca, descobrir a dinâmica da venda física e integrar os meios online e offline.

Grandes companhias como Google e Amazon têm aumentado sua presença física e outras, como Groupon e Ebay, inauguraram unidades para testar as vantagens de novos canais. Assim como elas, diversas empresas online enxergam que precisam corresponder à multicanalidade dos clientes. “Os consumidores exigem e empurram às empresas à diversificação de canais. Com as marcas online, não é diferente”, avalia Maurício Salvador, presidente da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), em entrevista ao Mundo do Marketing. 

Presença física diversificada
A Amazon já manifestou em diversos momentos a vontade de ter uma loja física e, este ano, fez uma parceria com a empresa brasileira Superfone para ter quiosques específicos do e-reader Kindle em shoppings de São Paulo. O Google também realizou uma parceria semelhante e montou um stand dentro da loja de eletrônicos PC World em Londres, focando na venda de notebooks com o sistema operacional Google Chrome. Ambas também têm serviços que oferecem armários próprios em determinadas localidades para onde compras feitas por usuários podem ser encaminhadas.

O Groupon abriu efetivamente sua primeira loja física em Cingapura. A empresa disponibiliza a entrega e troca de aparelhos, mas oferece inúmeras outras opções, como a possibilidade de o cliente experimentar produtos à venda e de realizar buscas e fazer compras por meio de iPads. Além do site de compras coletivas, o eBay criou a The Bay Inspiration Shop em Nova York, que segue o conceito de presença física mas com vendas 100% digitais. Os produtos expostos trazem QR Codes que direcionam o comprador ao site para que efetuem o pedido e pagamento.

Confiança e contato mais próximo
A maneira como as unidades foram criadas reforça o 
fato de serem empresas de plataforma online, mas traz como vantagem o contato mais próximo do consumidor com a marca e com os produtos. “O showroom, que já é forte nos Estados Unidos e outros países, permite uma experimentação ao cliente e é uma forma de mostrar às pessoas que elas têm um local onde podem reclamar caso algo ocorra. Isso dá uma grande confiança para que se relacionem com a empresa”, analisa o presidente da ABComm.

Com o intuito de se aproximar do público e mostrar que a empresa é acessível e se comunica com as pessoas em todos os canais, o Hotel Urbano abriu duas lojas no Rio de Janeiro. A ideia veio da percepção de que o volume financeiro do mercado de turismo ainda é 90% offline e que, como a viagem é uma compra planejada, o consumidor exige mais segurança e contato pessoal. Na loja, eles acompanham o passo a passo do processo. A ideia é que a partir da primeira experiência, eles possam comprar sozinhos em casa”, explica Roberta Oliveira, Diretora de Marketing do Hotel Urbano, em entrevista ao portal.

Novas perspectivas
As dificuldades na criação e implementação da presença física foram inúmeras. A primeira foi como passar o conceito do Hotel Urbano para objetos e materiais físicos. Durante quatro meses, os profissionais envolvidos decidiram como seria a estrutura e o design do espaço e optaram por usar vidro e equipamentos de última geração para mostrar transparência e inovação tecnológica.

O longo processo de análise e de realização da obra valeu a pena. Logo que o local foi inaugurado, a agência de viagens percebeu que os clientes exigem uma personalização muito maior quando estão frente a frente com um atendente. “Isso está sendo interessante para revermos o nosso próprio portfólio. Queremos suprir as necessidades que temos percebido nos clientes”, conta Roberta Oliveira.

Graças à experiência positiva, a intenção é que o Hotel Urbano abra pelo menos 12 lojas este ano e que esteja presente em todas as capitais do país. Além da agência, outra empresa nacional online que tem investido em lojas físicas é o pet shop Meu Amigo Pet: a marca possui duas unidades próprias e três franquias, sendo duas ainda não inauguradas.

Oportunidades pouco exploradas
A decisão de apostar em um novo meio foi tomada depois de que Daniel Nepomuceno, CEO do Meu Amigo Pet, teve acesso a uma pesquisa da empresa Gouvêa de Souza, de que a terceira questão que leva o consumidor a ter mais confiança no e-commerce é a presença em unidades físicas. Outros pontos que influenciaram foi o maior poder de barganha junto aos fornecedores permitido pelo maior volume de compra em menor espaço de tempo e a percepção de que ainda não existia no Brasil nenhuma franquia de produtos para animais de estimação.

O estado de São Paulo foi escolhido para receber as unidades por ser o principal mercado do e-commerce. Além da capital, a marca focou em cidades menos populosas, como Presidente Prudente. “Muitas regiões ainda carecem de lojas especializadas nesse ramo e essa é uma oportunidade que temos para oferecer algo diferenciado”, opina Daniel Nepomuceno, em entrevista ao Mundo do Marketing

A integração entre os meios online e offline ainda está sendo implementada e é um dos principais desafios. Atualmente os clientes das lojas físicas têm descontos no e-commerce da marca caso não encontrem o que estão procurando na unidade que frequentam, mas as pessoas que compram no site ainda não podem realizar trocas nos espaços físicos. “Isso será possível em breve, mas ainda estamos viabilizando. O importante é que estamos evoluindo no mundo físico também”, avalia o CEO do Meu Amigo Pet. 

Atuação alternativa
Mesmo as empresas que não têm condição financeira ou estrutura para abrirem unidades, podem recorrer a algumas alternativas para atuarem fisicamente. O clube de assinatura de sapatos e acessórios na internet Shoes4you, por exemplo, firmou parceria com a marca Pash e expõe seus produtos na loja do bairro do Jardins, em São Paulo. A unidade disponibiliza sapatilhas e sapatos de salto médio e alto e, a cada mês, as coleções são renovadas, assim como ocorre no site.

O motivo principal para a ampliação de canais foi a possibilidade divulgar e apresentar os produtos a quem não conhece a marca. “Isso faz muito sentido, especialmente para uma marca tão nova como a nossa, que surgiu em 2011, e com o nosso tipo de produto. O cliente pode experimentar um sapato e adquiri-lo na hora caso tenha gostado”, analisa Olivier Grinda, CEO da Shoes4you, em entrevista ao portal.


Por Ana Paula Hinz, do Mundo do Marketing


Leia também: Mas afinal o que é loja conceito ou de experiência?

terça-feira, 2 de abril de 2013

Mas afinal o que é loja conceito ou de experiência?


Loja conceito da Nike em Ipanema/RJ


Loja de experiência, loja conceito, loja modelo... Em 2012, em menos de um ano, o Brasil ganhou mais de dez lojas com estas características, incluindo marcas renomadas como Nike, Absolut, Burguer King e Citröen. Mas, afinal, qual a diferença entre elas? 
Segundo Ricardo Pastore, professor no Núcleo de Estudos do Varejo na ESPM, não há uma definição teórica para cada tipo de loja, mas tendências que são seguidas há algum tempo. Além disso, uma marca pode "misturar" dois ou mais formatos e criar a sua própria visão de loja. Ele explica que atualmente existem quatro tipos de lojas: 
Loja conceito
Serve para o testar um novo padrão, que pode ou não ser expandido pela marca. "Na loja conceito, a ideia é que as marcas experimentem o mercado, inaugurando um novo jeito de expor produtos. Nela, a observação da reação do consumidor é fundamental para decidir se o modelo será mantido", afirma. 
É essa interação do cliente com as marcas que está sendo valorizada em espaços como o da loja conceito da Magnum. "O consumidor está cada vez mais exigente. Para ele, ir à loja e simplesmente comprar algo que precisa não é uma experiência completa. Eles querem viver, sentir a marca, e o produto... Consumir antes mesmo de comprar. A Kibon, por meio de sua marca Magnum, percebeu este movimento que já acontece fortemente em outros países e trouxe essa experiência para o Brasil", afirma Isabel Masagão, gerente de marketing da Kibon.
Vale lembrar que a loja conceito também pode funcionar somente por um determinado período e, na maior parte das vezes, pertence ao fabricante, e não ao varejista, o que permite uma expansão mais segura entre franquias, distribuidores e etc.
Loja de experiência
Neste ponto de venda, o que encontramos é um ambiente laboratorial, onde a empresa gera uma série de experiências para o consumidor e atividades que proporcionem contato direto com as marcas. Henry Rabello, diretor de marketing da Nike no Brasil, explica a caracterização de uma loja de experiência: "Para ser considerada uma loja de experiência, o espaço deve ter algumas características únicas, como pelo menos 1.200 metros quadrados de área e três tipos de oferta: produtos, serviços e conexão". 
A marca acaba de abrir uma loja de experiência em Ipanema, no Rio de Janeiro, com três andares e o Brand Apace, um espaço para eventos e lançamentos. "A Nike Ipanema é a primeira Brand Experience da América Latina. Há somente 15 espaços desses no mundo. Eles são especiais e têm a missão de proporcionar a melhor experiência entre a marca Nike e seus consumidores", afirma Rabello.
Loja modelo
Ainda de acordo com Ricardo Pastore, no caso da loja modelo, há também um espaço experimental, mas com foco em treinamento. "Trata-se de um espaço destinado a cursos, testes e outras atividades. Geralmente, ele se encontra em locais fechados e não está aberto para operar vendas, mas apenas experimentos e para orientar funcionários a como agir diante dos clientes", explica.
Loja piloto
Por fim, a loja piloto é uma loja que pertence a uma determinada rede de varejo e testa produtos e novidades. "Por serem na maior parte das vezes mudanças bruscas, a empresa corre certos riscos ao fazer esses testes. Contudo, é ali que ela sabe se determinada novidade é aceita ou não", afirma Pastore.

Loja conceito Absolut Inn em SP 

Tendência está ligada ao branding
Pastore vê o “boom” das lojas experimentais no Brasil não apenas como um movimento de reprodução da tendência, mas sim como uma ação realmente estratégica para agregar valor para as marcas. 
"Quando uma empresa decide abrir uma loja deste tipo, ela está pensando em um novo layout, uma mudança de conceito, e isso que as marcas brasileiras têm feito. Se um varejista quer ganhar prestígio em Nova York, ele provavelmente vai procurar um espaço na 5ª avenida. Aqui no Brasil, a maioria das lojas conceito e de experiência têm se concentrado também em pontos de prestígio, como por exemplo, a Oscar Freire, onde já existem há anos lojas famosas como a da Havaianas e Melissa", explica.
Foi esse amadurecimento de branding que ocorreu em espaços como o ABSOLUT INN, criado a partir da necessidade engajamento, e não de seguir uma tendência. "Hoje em dia, só a mídia tradicional não é suficiente para engajar. É preciso cada vez mais atividades experenciais, para que a marca possa conviver com o target e vice-versa", afirma Rafael Souza, gerente de grupo da Absolut no Brasil.

"No caso da Absolut, a ideia é manter uma conversa mais longa, diferente de um comercial de 30 segundos ou uma postagem no Facebook. Ao promover um espaço de interação, a conversa se tornou contínua e as pessoas puderam interagir com elementos da marca que são exclusivos, como a coleção de garrafas que nunca tinha sido vista antes pelo público e contém exemplares de outros países", explica. 
Apesar do espaço já ter fechado, Rafael afirma que isso não influencia em seu desempenho e faz até mesmo parte de um planejamento. "A ideia ao montar esse espaço era ter uma experiência única, mas que não passasse a integrar uma paisagem. É melhor ter uma experiência curta mas com bom engajamento do que sentar em cima dos louros e ficar esperando", conclui.

Fonte: Stephanie Hering


quarta-feira, 27 de março de 2013

Novo modelo de cidade sustentável


Cidade de Oulu hoje. Foto: Business Oulu

A cidade de Oulu, no norte da Finlândia, está prestes a ter um novo bairro destinado a ser um modelo de projeto ambiental no hemisfério norte.
Hiukkavaara, apelidado de "Arctic Smart City", será um projeto de 1,8 bilhões de dólares que implementa várias iniciativas sustentáveis ​​para seus residentes. O desenho urbano contará com uma rede energética inteligente, fontes de energia alternativas e renováveis, um sistema de água ecológico e gestão de resíduos centralizada.

O projeto ambiental e consciente de Hiukkavaara, é parte de um movimento que cresce  em todo o mundo para o desenvolvimento de cidades inteligentes. Estima-se que mais de 60 por cento da população mundial viverá em centros urbanos em 2025, com as cidades em crescimento, haverá um investimento de até US$ 30 trilhões por ano na economia mundial de acordo com um recente relatório do McKinsey Global Institute.

"Os apartamentos, edifícios, blocos, pátios, ruas e parques de Hiukkavaara são todos concebidos tendo como objetivo a conveniência dos residentes", disse o diretor de serviços urbanos e ambientais da cidade de Oulu, Matti Matinheikki. "A Energia e os materiais são consumidos de maneira eficiente e sem desperdícios, a natureza é valorizada, e a vida humana se mistura com o meio ambiente. O inverno tem sido o ponto de partida para o projeto da comunidade em Hiukkavaara, e o distrito da cidade será planejada levando em conta o clima. "
A cidade vai oferecer aos residentes soluções eficientes para o dia-a-dia e foi projetada com o usuário em mente. Ela está sendo construída para incentivar o envolvimento da comunidade e oferecer atividades recreativas em uma cidade onde os moradores são incentivados a se deslocarem a "pé, de bicicleta e esqui."


Proposta da Cidade de Oulu. Foto: World Construction Network

Os planos incluem a construção de 20 mil novas casas, 10 mil unidades habitacionais, 1.800 locais de trabalho e serviços inteligentes para 40.000 moradores, com o projeto previsto para ser concluído até 2035.

O transporte público deslocará facilmente os residentes por toda a cidade.
O aumento na demanda por recursos naturais e uma população em expansão global estão desafiando centros urbanos a aumentar a sustentabilidade, e oferecer estilos de vida desejáveis ​​para seus habitantes.

Espaços urbanos continuarão a se tornar mais densos através do desenvolvimento de cidades inteligentes, e mais cidades estão agora convergindo para criar mega-cidades ou regiões. O desenvolvimento dessas cidades também cria oportunidades para o crescimento econômico e reduz o impacto ambiental das cidades.
Por exemplo, a mega região de Hong kong-Shenzhen-Guangzhou, China, tem cerca de 120 milhões de habitantes e estima-se que a região de Tóquio-Nagoya-Osaka-Quioto-Kobe do Japão, terá uma população de 60 milhões em 2015.

Embora o ambiente está desesperado para a mudança, as iniciativas econômicas, tecnológicas e estilo de vida associados com o desenvolvimento de ambientes urbanos de hoje, vai continuar a criar oportunidades para as cidades e moradores dispostos a explorá-las.

Fonte: Angela Fedele

Leia também: Construções sustentáveis ganham mercado

segunda-feira, 4 de março de 2013

Em dez anos, mundo terá mais de 1 bilhão de idosos, segundo a ONU


Relatório recomenda que países se preparem para mudança em perfil demográfico e aponta mitos sobre terceira idade.

Da BBC
Um relatório de uma agência ligada à ONU afirmou no final de 2012 que, nos próximos dez anos, o número de pessoas com mais de 60 anos no planeta vai aumentar em quase 200 milhões, superando a marca de 1 bilhão de pessoas. Em 2050, os idosos chegarão a 2 bilhões de pessoas - ou 20% da população mundial.
Envelhecimento da população é uma tendência mundial (Foto: BBC)Envelhecimento da população é uma tendência mundial (Foto: BBC)
O documento do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês) faz previsões sobre o perfil demográfico global e reflete o aumento da expectativa de vida em diversos países do mundo.
A tendência é que os idosos se tornem cada vez mais numerosos em relação às pessoas mais jovens. Em 2000, a população idosa do planeta superou pela primeira vez o número de crianças com menos de 5 anos. Agora, a entidade prevê que, em 2050, o número de pessoas com mais de 60 anos vá superar também a população de jovens com menos de 15 anos.
Segundo a UNFPA, o envelhecimento da população será mais perceptível em países emergentes. Hoje, cerca de 66% população acima de 60 anos vivem em países em desenvolvimento. Em 2050, essa proporção subirá para quase 80%.
A agência da ONU diz que o aumento da expectativa de vida no planeta é "motivo de celebração", mas alerta para alguns riscos econômicos do envelhecimento da população.
"Se não forem tomados os devidos cuidados, as consequências destes temas provavelmente surpreenderão países despreparados", afirma o documento.
A UNFPA alerta que o desafio para muitos países emergentes com grande número de jovens é encontrar políticas públicas para lidar com o envelhecimento desta população nas próximas quatro décadas.
No Brasil, a previsão é que o número de idosos triplique de hoje até 2050 - passando de 21 milhões para 64 milhões. Por essas previsões, a proporção de pessoas mais velhas no total da população brasileira passaria de 10%, em 2012, para 29%, em 2050.
Discriminação e mito
Um dos problemas enfrentados pelos idosos, segundo a ONU, é a discriminação.
O relatório fala que - apesar de 47% dos homens idosos e 24% das mulheres idosas participarem do mercado de trabalho - as pessoas mais velhas continuam sendo vítimas de "discriminação, abusos e violência" em diversas sociedades.
O documento traz depoimentos de 1,3 mil idosos em 36 países do mundo, inclusive do Brasil. O estudo da ONU também fala que existem mitos comuns sobre idosos que nem sempre são amparados pelos números.
Uma ideia amplamente difundida é a de que os mais jovens sustentam economicamente os mais velhos através do sistema de previdência. Porém esta previdência foi paga pelo próprio idoso durante os anos em que trabalhou.
Segundo a UNFPA, em muitos países, inclusive no Brasil, o caso contrário ainda é bastante comum.
"Em termos econômicos, ao contrário da crença popular, um número grande de pessoas mais velhas contribui com suas famílias, ao amparar financeiramente gerações mais jovens, e com as economias nacional e local, ao pagar impostos", diz o relatório.
"No Brasil, México, Estados Unidos e Uruguai, por exemplo, a contribuição [financeira] dada pelas pessoas mais velhas é substancialmente maior que a que eles recebem".

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Arquitetura da Felicidade

Alain de Botton é um escritor suíço que aborda diversos temas da vida, de relacionamentos a viagens, sempre relacionando-os a questões filosóficas.

Em seu livro A Arquitetura da Felicidade, ele escreve que as pessoas são profundamente influenciadas pela arquitetura à sua volta, seja a do lar, a do ambiente de trabalho ou mesmo a das ruas. 
O estilo e a aparência de cada construção afeta, de alguma maneira, o humor, a sensibilidade e até a personalidade dos seres humanos. O autor nos convida a abrir os olhos para essa curiosa relação, raramente percebida. 

De Botton acredita que o ambiente afeta as pessoas de tal modo que não seria exagero dizer que a arquitetura é capaz de estragar ou melhorar a vida afetiva ou profissional de alguém. Mas que não se pense que a solução dos nossos problemas está nas mãos dos arquitetos e decoradores. Para o autor, a arquitetura será sempre um protesto contra um estado de coisas. Se ficarmos felizes em ver a luz matinal sobre uma certa parede de gesso ou uma perfeita carreira de tábuas de assoalho, é porque essas pequenas cenas de beleza frágil contrastam com seu pano de fundo sombrio: os problemas cotidianos. Uma das teses de Alain de Botton é a de que o que buscamos numa obra de arquitetura não está tão longe do que procuramos num amigo. Ao construir uma casa ou decorar um cômodo, as pessoas querem mostrar quem são, lembrar de si próprias e ter sempre em mente como elas poderiam idealmente ser. 
O lar, portanto, não é um refúgio apenas físico, mas também psicológico, o guardião da identidade de seus habitantes. 
Seguindo esse raciocínio, o autor conclui que quando alguém acha bonita determinada construção, é porque a arquitetura reflete os valores de quem a elogia. Afinal de contas, uma simples fachada pode ser acolhedora ou ameaçadora, humilde ou esnobe, aristocrática ou religiosa, pode relembrar o passado ou apontar para o futuro. Pode até mesmo expor as idéias de um governo. Cada obra de arquitetura expõe uma visão de felicidade.

Leia também: Os Desafios da Arquitetura Corporativa